Uma Busca pela Perfeição

Num mundo ideal todas as pessoas só trabalhariam com o que amam, mas sabemos que nem sempre isso é possível. Acredito até que trabalhar com...

Num mundo ideal todas as pessoas só trabalhariam com o que amam, mas sabemos que nem sempre isso é possível. Acredito até que trabalhar com o que realmente se ama seja um privilégio para poucos, entre os quais,  felizmente, me incluo.  
Mas o que fazer quando, para se garantir o sustento, nos vemos obrigadas a desempenhar uma função a qual não toleramos? A vida pode se tornar um fardo...
E foi pensando nessas pessoas que não amam o que fazem, mas mesmo assim, seguem em frente, buscando a perfeição, procurando dar o melhor de si, mesmo com todo o sacrifício, para colocar comida na mesa dos filhos, foi o que me inspirou para o post de hoje.


 O post de hoje está relacionado a uma lembrança de infância: Cresci vendo meu pai fabricando bolsas femininas, malas e mochilas escolares. Tinha um talento incrível, porém detestava as máquinas de costuras. Detestava ter que, vez por outra, precisar da ajuda dos filhos para entregar alguma encomenda. Dizia que a gente precisava estudar "para ser gente". Especialmente eu, a mais velha entre 6 irmãos.


Mal imaginava ele, que um dia eu lhe seria bem grata por ter me ensinado, assim mesmo a contragosto, a manejar uma máquina e alinhar uma costura. Quem me dera, meu pai, ao invés  de tentar me afastar das máquinas, tivesse se empenhado mais   em transmitir sua experiência! Mas o pouco que me ensinou me serviu bastante, pois foi o que apareceu para eu fazer num momento de crise e eu não poderia ficar de braços cruzados.
Costurei 60 dessas mochilas e fiquei muito feliz por isso!

Coloquei minha máquina de costura no terraço de minha casa, que ficava bem na vista de quem passava na rua.  Comecei consertando algumas de minhas roupas aleatoriamente. Pouco a pouco foi aparecendo gente com sacolas e mais sacolas de roupas para consertar. Me assustei um pouco, pois  não tinha a menor intenção de me tornar costureira, mas logo vi que a ideia poderia não ser má, já que, como já disse, estava passando por uma grande crise financeira. 

E foi nessa correira de conserta daqui e dali, o que me impulsionou a tentar o vestibular, o enen e  começar a estudar. Eu acho que as pessoas têm que se aprofundar naquilo que fazem e buscar sempre novos caminhos para se aperfeiçoar. Consegui uma bolsa de estudos para o curso de Design de Moda e veja você, a influência intencional ou não, de uma pai na vida de uma filha. 
O barulho da máquina de costura é bem reconfortante para mim, porque me lembra, não alguém que fez o que amava, mas alguém que fez o que não amava a fim de que nada me faltasse. E isso é para mim, o verdadeiro  ato heróico. 

Se o negócio era costurar, então que fosse, mas para isso era preciso estudar, certo?

Mas a influência de meu pai não parou por ai: Na intenção de  um dia mudar de ocupação, alternava as costuras com uma mercearia, estabelecida na lateral de nossa casa, que ficava de esquina.
Nisso, comprava revistas e mais revistas velhas a fim de servir  de embalagem para as mercadorias. E eu não via a hora de avistar de longe as duas mocinhas que, de tempos em tempos, vinham com as mãos cheias de revistas de fotonovelas e almanaques. Aquilo para mim era um sonho! Imagina uma menina sem acesso a livros, rádio ou tv, morando nas brenhas, sem nenhuma vida social, se deparar com as infinitas e vibrantes estórias que saltavam daquelas páginas incríveis!

E foi daí também que nasceu o gosto pelas leituras. O despertar das ideias. A imaginação a correr solta pelas mais longínquoas terra italianas: Gênova, Veneza, Turim...
E os galãs e as mocinhas, então! De encher a vista!
Escondia as revistas que mais me chamavam a atenção para que não fossem parar nos embrulhos e lia uma a uma. Infelizmente nao guardei nenhuma. Hoje, as poucas que ainda restam, valem pequena fortuna.


Meu pai um dia me levou às costuras. As costuras me ajudaram num momento de dificuldade. As dificuldades  me levaram os estudos. O estudos me levaram a escrever. Por escrever muito no grupo do facebook da faculdade, me aconselharam  criar um blog. A ideia não me pareceu má: comecei a pesquisar o que seria "um blog" e, cá estou.


Bem, vou parando por aqui! Por hoje é só! Obrigada pelo carinho de sua leitura! Bjs


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2 comentários

  1. Oi Vania. Que história linda. Seu pai sem saber deu sentido à sua vida. Você é mesmo uma mulher abençoada por viver do resultado do trabalha que ama. Parabéns pelo seu trabalho, pelo seu talento e por tudo que você acrescentou a ele com esforço.

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  2. Obrigada, Meire! Um grande abraço!

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